25/10
Ausento-me deste
triângulo equilátero, acreditando que quanto mais longe estiverem os teus
olhos,
Mais perto,
Tenho eu as estrelas.
E eu quero trocar os teus
olhos,
Por todas as estrelas,
mesmo aquelas que são em papel,
Colorido. Mesmo aqueles
que são invisíveis.
Ausento-me dos teus
olhos. Esqueço que tu tens olhos, esqueço-me que eu também,
Sou,
Um triangulo,
Um triangulo
desengonçado, com duas janelas viradas para o rio,
Esse rio que me fode
todos os dias, e todas as noites,
Esse Tejo,
Como quando eu fodia as
putas depois…
Depois de voar numa prata
de alumínio.
E eu queria morrer. Depois
acordava quase esquecido por entre os armários de um cubículo desorientado,
faminto
Um puto, chorava. Tinha fome.
Eu sofria com aquilo. E pegava
na prata novamente,
E
Acordava no rés-do-chão
de uma mulata
Enquanto se masturbava de
encontro
A um espelho. O meu
rosto, chorava. Ouvia os silêncios da fome pelas frestas e do crucifixo
suspenso na parede,
Nem um ai. Talvez se
masturbasse também
Enquanto a mulata,
Me masturbava. Eis o
silêncio. Eis a vida disfarçada de mendigo, de maluco,
Que estou,
Dizem eles.
Quem são eles? Quanto pesam,
eles?
Eles que se fodam, escreveria
o poeta no seu caderno preto.
Foda-se, diria o artista
enquanto pincelava os mamilos da carbonada,
Afilhada. Fecha-me essa
janela, Alfredo
E o desgraçado do gato
erguia-se, desenhava o círculo na circunferência da noite,
E
Assustou a afilhada. Vestiu-se
e subiu ao telhado.
Madrugada, quero eu ser
quando as silabas de o terror descerem as catacumbas
Do pequeno degredo,
Onde vou esconder os teus
olhos.
Pausa. Vou buscar um copo
com uísque. Talvez fume um cigarro.
Começo a esquecer-me de
quem sou, como já esqueci o esconderijo
Onde escondi
Os teus olhos.
Felizmente a noite ama-me
muito
Mãe. Tu sabes que sim,
Porque sabias
Que
Eu
Mãe,
Eu amo a noite mãe. E sinto-me
um presidiário no corredor da morte,
À fome
E à sede,
Apenas com dezanove cigarros.
As lâmpadas, meu amor.
Morreram ontem, enquanto
mergulhava no teu silêncio, travestido de sofrimento.
Então?
Quem sou eu, então?
O ninharias que nunca
saiu de Alijó, o parolo que nunca foi a Roma, mas já fez amor em Paris
Quem sou, eu, sabendo que
Nunca
Sou
Ser
Alguma coisa, estar vivo,
destemido, estar ausente, com uma pequena dor
No dente,
Ele sente,
Está a ferver,
O meu carro, ferve
Ela ferve por causa da
menopausa,
E eu, sofro, e fervo, e
vomito lume pelos quarto cotovelos da noite.
E para mim, juro
Tanto faz.
Que seja noite,
Ou que mude a hora. Eu só quero esconder-me dos teus olhos!
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