09 março 2024

Poema-água

 

Uma torrada despe-se na aurora da noite

e inventa na roseira do jardim-luar

as primeiras lágrimas da madrugada

da tua manhã,

o portão do teu olhar está encerrado para as mãos do meu olhar…

cansaço que se ergue das lâminas invisíveis do mar.

 

Lençóis de sémen caiem sobre o silêncio

vidro martelado da janela dos teus lábios

e este navio embriagado

descontrolado

à deriva no corredor da morte.

 

As flores saciam a sede no poema-água

da tua voz

colorida de azul

quando dentro de um copo

a tua voz

emigra para os meus lábios.

 

O beijo despe-se como a torrada

na aurora da noite

e o pão emagrecido que deus alimenta

cresce na folha lavrada deste poema em brancos destinos

poisado sobre a gente

que corre nas ruas escuras da cidade.

 

A torrada saboreia-me;

deixa na minha boca um pedaço do teu beijo

quando a Primavera envergonhada

parece esconder-se

e esconde-se…

nos fios do teu cabelo entrelaçado na solidão.

Amanhã vestir-me-ei de amanhecer saudade,

apenas para alimentar o verbo da tua mão.

 

 

(orgasmo literário)

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