Uma torrada despe-se na
aurora da noite
e inventa na roseira do
jardim-luar
as primeiras lágrimas da
madrugada
da tua manhã,
o portão do teu olhar
está encerrado para as mãos do meu olhar…
cansaço que se ergue das
lâminas invisíveis do mar.
Lençóis de sémen caiem
sobre o silêncio
vidro martelado da janela
dos teus lábios
e este navio embriagado
descontrolado
à deriva no corredor da
morte.
As flores saciam a sede no
poema-água
da tua voz
colorida de azul
quando dentro de um copo
a tua voz
emigra para os meus
lábios.
O beijo despe-se como a
torrada
na aurora da noite
e o pão emagrecido que
deus alimenta
cresce na folha lavrada
deste poema em brancos destinos
poisado sobre a gente
que corre nas ruas
escuras da cidade.
A torrada saboreia-me;
deixa na minha boca um
pedaço do teu beijo
quando a Primavera
envergonhada
parece esconder-se
e esconde-se…
nos fios do teu cabelo
entrelaçado na solidão.
Amanhã vestir-me-ei de amanhecer
saudade,
apenas para alimentar o
verbo da tua mão.
(orgasmo literário)
Sem comentários:
Enviar um comentário