(para ti, meu amor!)
Nevou na Primavera do teu
cabelo
duas borboletas
independentemente do sexo
e da idade
fazem amor junto ao
silêncio da relva.
A paisagem flui nas
imagens da tua mão
o tempo escoa dentro
deste círculo de sono
ou de insónia
que cai sobre o teu
olhar.
A neve é a madrugada da
tua pele
é o mar disfarçado de
neve
é a neve disfarçada de
desejo
que cai na Primavera do
teu cabelo.
Nevou na Primavera do teu
cabelo
ó meu amor
todas estas imagens em
viagem aos horrores de Estaline
entre curvas e rectas
dentadas
por esta Sibéria
envenenada
prometida de sangue
dispersa nos rochedos.
Nevou meu amor
nevou na Primavera do teu
cabelo
esta cobra acorrentada
aos carris passeando-se descaradamente por esta montanha
cá dentro
a maioria são homens
algumas crianças
e duas ou três mulheres
grávidas
todos
somos palavras
dentro do verso-carruagem
todos somos a neve…
Que cai na Primavera do
teu cabelo.
Nevou hoje meu amor na
Primavera do teu cabelo
sabe-lo tão bem como eu…
Meu amor…
Que a neve que cai na
Primavera do teu cabelo
é um abraço apertado na
sombra de uma lâmpada!
(orgasmo literário)
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