domingo, 28 de abril de 2013

Amargos poemas da morte

foto: A&M ART and Photos

Há fogo nos teus olhos minguados pelo silêncio da chuva
quando o meio-dia de um suicidado relógio
cai sobre as pequenas lágrimas de granito
como se os amargos poemas da morte
tivessem vida e começassem a transpirar sílabas furtivas,

Há fogo nos teus olhos
como janelas cristais dentro de hipercubos
como lábios de areia
da lareira dos sonhos
as tristes paisagens dos teus seios de amêndoa,

Há tanta coisa dentro de ti
meu cansado amor sem teres a destemida coragem de me olhar
escrever ou pintar no muro recheado de ervas e sanzalas imaginárias
os poucos sonhos que as minhas mãos deixaram no teu rosto argamassado
pelas geadas marés do vidro em planícies embalsamadas pelo desejo da paixão,

Há fogo nos teus olhos minguados pelo... da chuva
que te esqueces das poucas palavras que ainda vivem dentro de mim
como uma roseira bravia e ensanguentada pelas nuvens em demanda...
há meu amor
madrugadas fingidas em noites acordadas tuas fantasias,

E que não sabias
que há árvores à nossa espera num jardim invisível
onde passa um rio em corridas apressadas
adormece no mar
do fogo teus olhos minguados pelo silêncio da chuva.

(não revisto)
@Francisco Luís Fontinha

Sem comentários:

Enviar um comentário