28 agosto 2026

Naquele tempo, o mar

Naquele tempo, o mar

Tinha olhos, e tinha

Olhar,

Naquele tempo, o mar

Tinha braços

E tinha abraços,

E tinha mãos,

Mãos para lhe pegar,

Naquele tempo, o mar

O mar tinha vagina, e

Tinha seios,

Seios,

Para

Beijar.

 

Naquele tempo, o mar

 

Tinha,

 

Na voz,

 

O silêncio,

 

Do

 

Mar.

 

28/08
10:19

Era o frio mais frio, Do gélido desejo, no silêncio do mel

Era o frio mais frio,

Do gélido desejo, no silêncio do mel

Do beijo rio, no beijo o cisel

Era o frio mais frio,

Do cansado rio, e tu agarras-me

Ao fundo, o penhasco, bem lá no cimo, no cimo de nada

Enquanto o mar, é deus

Enquanto eu, eu não sou nada

 

Era o frio mais frio,

No abraço a canção, que é quase a caneta, ou a espada, espetada

No coração, de uma cobra, apaixonada

Ou até, ou até a voz de uma espingarda

Tão velha, e tão enferrujada

Na noite,

Ela deitada, deitada na mão

De quem a acariciava, de quem ela amava.

 

28/08
05:46

27 agosto 2026

Dóceis, os teus lábios de mel

Dóceis, os teus lábios de mel
se nas mãos tens pedras
para me apedrejares
se nos olhos tens o lume
para me incendiares.

Dóceis, os teus lábios de mel
se na boca tens palavras
para me humilhares
se no cabelo tens o vento
para me acorrentares
à noite.

Dóceis, os teus lábios de mel
se no sorriso tens a insónia
para lançares na minha noite
a noite anterior.

A loucura

26 agosto 2026

E me perdia nos teus olhos

Sento-me a esta secretária, e esta não é a minha secretária; a minha secretária está ausente de mim, e dos meus braços, onde os poisava e imaginava-te sentada à minha frente, de cotovelos suspensos sobre o tampo, dedos entrelaçados e ao nível dos teus lábios, e colocavas o queixo entre eles como se fossem uma flor sem nome.

Depois, depois desenhavas um sorriso e ficavas a olhar-me, enquanto eu também te olhava.

E me perdia nos teus olhos.

 

Sento-me a esta secretária e espero, que também te sentes. Enquanto isso, voltei a ler poesia,

E imagino o dia em que tu te sentas à minha frente, de cotovelos suspensos sobre o tampo, dedos entrelaçados e ao nível dos teus lábios, e colocavas o queixo entre eles como se fosse uma flor sem nome.

 

Sento-me a esta secretária, e esta nunca será a minha secretária, porque a minha secretária me espera, porque a minha secretária também te espera e

 

Sentas-te

 

à minha frente, de cotovelos suspensos sobre o tampo, dedos entrelaçados e ao nível dos teus lábios, e colocavas o queixo entre eles como se fosse uma flor sem nome.

Sonhar e acreditar, sem medo de falhar...