Era o frio mais frio,
Do gélido desejo, no silêncio do mel
Do beijo rio, no beijo o cisel
Era o frio mais frio,
Do cansado rio, e tu agarras-me
Ao fundo, o penhasco, bem lá no cimo, no cimo de nada
Enquanto o mar, é deus
Enquanto eu, eu não sou nada
Era o frio mais frio,
No abraço a canção, que é quase a caneta, ou a espada,
espetada
No coração, de uma cobra, apaixonada
Ou até, ou até a voz de uma espingarda
Tão velha, e tão enferrujada
Na noite,
Ela deitada, deitada na mão
De quem a acariciava, de quem ela amava.
28/08
05:46