19 agosto 2026

Quantos sóis serão precisos? 

As ovelhinhas

As ovelhinhas, brincam na fresca tarde

da erva, o pastor-poeta, encostado ao cajado-caneta

na ânsia que seja noite, que morra a tarde

ou apenas

que se acabe, a erva

ou que se fodam, as ovelhas

 

Que se acabe, com o sol e com o mel

que se acabe com as estrelas da noite, ou com a noite, de um olhar

para que servem as estrelas, quando a noite

seria mais curta

e mais feliz,

se cada socalco-seio, não fosse apenas

um rio,

mas a noite esquecida

e feliz.

 

19/08
14:07

18 agosto 2026

O espaço anónimo

O espaço anónimo, diurno

Quando saturno, retrogrado, quando

A virgem santa mãe de deus, ao me enxergar

Desfalece, e morre na aldeia

 

O espaço anónimo, nocturno

Escrever na parede, da aldeia

À lareira, ou na sombra

De um rio sonâmbulo, e também ele, anónimo

 

18/08
21:46

Quantos sóis São precisos,

Quantos sóis

São precisos,

Para escreveres, no meu

Olhar,

Amo-te.

 

Quantos?

Quantos sóis são precisos?

 

18:08
04:43

São o fogo os teus beijos, são o sopro na voz

São o fogo

os teus beijos, são o sopro na voz

da invisível, voz

que me alimenta, e que muito

me encanta

são os teus beijos, o árduo fogo

do sofrer, e o de amar

o fogo em lágrimas, o fogo a arder

sobre o mar

 

São o fogo

os teus beijos, no corpo cansado, no corpo

já gasto, no plágio constante da vida, nascer

morrer,

e sofrer, até o morrer

ou até, ser dia

 

São o fogo

os teus beijos, na cama, nua

e nua, o são

são a nua no fogo em chamas, os teus beijos

são estrelas pinceladas, em puros

desejos

 

São os teus beijos

o fogo nu da madrugada, são a espada

e são o mar na palma da mão, são

os teus beijos, a alvorada acordar, em fogo

são os teus beijos.

 

18/08
02:23

17 agosto 2026

Amanhã será vento

Amanhã será vento, em teu

cinzento dia, amanhã será luz

amanhã será a fogueira, em brincar

na mão, na mão de um acariciar

amanhã será dia, não o cinzento dia

não o triste dia

amanhã será vento, em teu

no vento em te amar

 

Amanhã será novamente, primavera

vera, amanhã serão as flores, palavras

escritas,

desenhadas,

no chão

 

Amanhã será vento, em teu

cinzento dia, amanhã será luz

amanhã será a fogueira, em brincar

na mão, na mão de um acariciar

a mão, a minha mão, em tua mão de mar

amanhã será vento, em teu doce olhar.

 

17/08
19:21

A chuva quase na tua mão

A chuva quase na tua mão, quase

Junto à ribeira, que dorme

Nos teus seios,

 

Quase mel, a tua boca nos meus lábios.

 

17/08
13:45