17 julho 2026

Talvez o nome dos teus olhos seja "falso diamante ".

Ontem

Ontem fui o silêncio na despedida de um olhar

Ontem fui o poema sentido e desejado

Ontem fui a espuma do mar

Ontem fui amado

 

Ontem fui uma estrela de sonhar

Ontem fui a noite e o dia

Ontem fui o sorriso do luar

E encanto e poesia

 

Ontem fui criança e menino

Ontem fui papagaio em papel de cor

Ontem fui destino

E hoje sou dor

 

17/07
04:14

16 julho 2026

De que cor são os teus olhos, meu amor

Que nome eu dar aos teus olhos

De que cor são os teus olhos, meu amor

Que silêncios escondem os teus olhos, meu amor

Será alegria?

Ou será dor?

Meu amor!

 

16/07
18:32

No teu corpo eu sonho

No teu corpo eu sonho

No teu corpo eu escrevia

No teu corpo eu sentia

O nascer e o acordar do dia,

 

No teu corpo eu vejo o mar

No teu corpo há flores e há luar

No teu corpo de sonhar

No teu corpo o amar,

 

No teu corpo eu vejo um jardim

No teu corpo a poesia aparece

E se veste

De alegria,

 

No teu corpo o vento vai amanhar

E de silêncio se constrói a sonolência invisível

No teu corpo eu tocar

No teu corpo eu me deitar.

 

16/07
18:04

15 julho 2026

Beijos de amar

Batem à porta

E o carteiro não é certamente,

Porque já é noite,

E o carteiro

Já dorme docemente.

Será a flor do meu jardim

Que acaba de acordar?

Não é a flor

Nem é a mim,

Que querem fazer levantar.

São palavras suspensas

Nas árvores do mar,

São batimentos

São pancadas,

Pancadas de embalar.

Batem à porta

E o carteiro não é certamente,

O carteiro já dorme,

Dorme felizmente,

Batem à porta

Da porta de embalar,

Batem na porta da porta,

Beijos de amar.

Amantes em construção

Olha para mim

Enquanto o sol brilha na tua mão.

Escreve em mim

As palavras estonteantes

Do desejo.

Olha para mim

Enquanto o meu pobre coração,

Em pedaços de beijo,

Voa em direcção às estrelas cadentes.

 

Suplico ao silêncio

Que se despeça do meu corpo,

Sabendo que lá fora,

Entre sombras e murmúrios,

As palavras estonteantes

Comem-me os duzentos e seis pobres ossos.

 

Duzentos e seis pedaços

De nada.

 

Olha para mim

Depois de acordares e abrires a janela,

Olha para mim

Enquanto o luar se deita na tua cama,

Olha, olha para mim

Sabendo que da tua voz tão bela,

Há um poema em chama,

 

Há um poema em trapos,

Com as palavras da alvorada.

 

Olha-me.

 

Olha para mim

Montanha esbelta da minha terra adormecida,

Com as árvores em papel colorido,

Olha para mim

Montanha minha amada querida,

Olha!

Olha para mim,

Corpo sofrido.

 

Olha para mim

Enquanto o sol brilha na tua mão.

Escreve em mim

As palavras estonteantes

Do desejo.

Olha para mim

E ouve esta pobre canção;

São palavras que não vejo,

São palavras que vão…

São as palavras dos amantes,

Dos amantes em construção.

A menina da ilha adormecida

Abraçava-se à lua

Quando a noite dormia na montanha e,

Os seios de um rio

Em pedacinhos de sorriso

Fatiava o luar em finíssimas lâminas de desejo.

Pegava nas palavras mortas

Do texto suicidado pela neblina,

(Ai, menina,

Menina da ilha adormecida.)

Folheava cada pétala de prazer

No abraço das pequeníssimas sílabas…

Dos livros, observava o mar,

O mar a arder.

Abraçava-se à lua

Quando a noite embriagada,

Triste

Nua…

Acorrentava à madrugada

A ilha adormecida,

Da menina,

Da menina mimada

À menina despida.