08 julho 2026

Leituras

A geometria do quadrado

A geometria do quadrado

A enxada envergonhada

Na mão do soldado,

 

O projéctil disparado

À lua nunca chegará

Nunca será rua

Nem chávena de chá,

 

A geometria do quadrado

No mar encrespado e só constipado

Quadrado círculo viciado

Na geometria do quadrado,

 

Lado

Vezes lado

É a área do quadrado

Do quadrado soldado,

 

Lado

Vezes lado

Vezes lado

É o volume do cubo que foi quadrado,

 

A geometria do quadrado

A enxada envergonhada

Na mão do soldado,

 

Do soldado quadrado.

 

08/07
02:04

07 julho 2026

Termodinâmica

Se evaporou na termodinâmica de um orgasmo

A entropia, nada a acrescentar

Tal como à entalpia, que nada tem a declarar

A não ser que está aflita

Tão aflita como o clitóris

Quando se encontra, entre a espada e a parede.

 

Tinha sede

Nas mãos sangue e sede

E num instante, os olhos

Começaram a ouvir o silêncio

E os ouvidos, vesgos

Começaram a ver a escuridão vestida de luz.

 

07/07
22:21

O que diria o Manuel Maria Barbosa du Bocage se cá estivesse,

O que diria o Manuel Maria Barbosa du Bocage se cá estivesse,

Que os exames estão a correr mal

Que se lixem os exames

O que diria ele

De tudo isto,

 

O que diria o Pacheco?

- Puta que os pariu!

O que diria Cesariny deste circo

Ambulante

Que é o planeta terra

Que qualquer dia

Fica sem terra

E fica sem dia,

 

O que diria o António Lobo Antunes

Quando pela noite

Um pedaço de vento

Pega na mão do capim

E lhe dizia

O que lhe diria

O capim,

 

O que dira o AL Berto depois de escrever

- Oiço-te ciciar pela primeira vez a palavra amo-te,

 

O que diria Zenão quando regressou a casa e verificou

Que sua amada e que sua esposa

Não o traiu, dizendo a seus pretendentes

Que só casaria depois de terminar a renda

E a renda do dia

À noite desfazia,

E assim Zenão se livrou de um bom par de cornos,

 

Aquiles e a tartaruga

O que diria

O Manuel Maria

du Bocage,

De tudo isto?

 

Se cá estivesse.

 

07/07
22:45

Um dia questionaram a charrua porque sorria

Um dia questionaram a charrua porque sorria

Se os seus braços enterrados na terra

Eram o cansaço do dia

Um dia a charrua questionou-se porque não sofria

Nunca chorava e nem sabia

A raiz quadrada de vinte e cinco,

 

Eu que apenas sou eu e nada mais do que eu

Questiono-me se verdadeiramente

Quem mais sofria

Se era a charrua

Ou a terra bravia

Ou o dia,

 

Que deus só existe

Porque há almas penadas

Portas e janelas encerradas

Que deus só existe

Que um dia

Alguém vai provar

Que a velocidade da luz poderá ser controlada

Mais lenta

Ou mais acelerada,

 

Um dia alguém vai provar

Que é possível um qualquer objecto ser teletransportado

Que hoje já é possível teletransportar um electrão de um sítio para outro sítio, pequenino muito sítio

Que um louco ou que loucos o são

Já conseguiram vejam lá

Manipular a velocidade da luz

Um dia alguém vai provar

Que tudo isto não existe

E que tudo isto foi apenas um sonho ou ilusão

E se a luz, e se a luz um dia parar?

Como se fosse um automóvel a estacionar

Uma cadeira vazia e dois pratos sobre a mesa,

 

Ou o zagehalovmovel tocar?

O que diria René Descartes de toda esta merda?

O que diria Cristo a tudo isto?

 

No sistema de eixos cartesianos

Cristo está sentado lendo e ao mesmo tempo cagando

Se cagando para nós

Para mim tanto faz

O pouco tempo que me resta

Vou passá-los a ler e a escrever e a foder, enquanto me deixarem e eu…,

 

Mas, e as Crianças?

Não vão à escola.

Têm fome.

Morrem por tudo

E até pelo dinheiro

Os fundos abutres

Sem escrúpulos

E sem nome

Ou asas,

 

E que se fodam as crianças e as plantas e os pássaros

Porque o mais importante de tudo,

É o dinheiro. O lucro.

 

Já ninguém lê Kundera

Já ninguém vai à janela

E questiona o mar

Por que razão sorria a charrua,

 

E já ninguém lê poesia.

 

(que uns idiotas israelitas conseguiram criar um embrião totalmente sintético, e que sobreviveu alguns milésimos de milésimos de um segundo,

 

E quando esta merda viver anos?

O que será do Mundo?

 

E já agora, perguntem à charrua que sorria)

 

07/07
22:08

Que o tempo está bom, a água uma delícia,

Que o tempo está bom, a água uma delícia, que Pitágoras disse um dia aos seus netos que num triângulo rectângulo o quadrado da hipotenusa é igual à soma do quadrado dos catetos,

Que o momento é igual à carga vezes o vão ao quadrado a dividir por oito,

Que tão breve não irá chover, e claro

Que se foda o Pitágoras, os netos e os catetos e o momento e o seno hiperbólico de X

A força da gravidade, por enquanto ainda não muito grave é igual a nove vírgula 8 metros por segundo quadrado, e se não existisse gravidade,

Como fodíamos nós?

 

O integral de X (d) X é igual a X ao quadrado a dividir por dois mais a respectiva constante de integração,

Um metro cúbico são mil litros, hoje ainda não ouvi o apito do cacilheiro em direcção ao Barreiro, talvez tenha ele falecido

Tanta gente que ultimamente tem morrido,

 

Por fim,

 

Só saio às vinte horas,

 

Que a velocidade da luz é igual a trezentos mil quilómetros por segundo,

Em física designada pela letra (C)

Que não sei quem é mais louco, eu ou o Óscar,

 

E que a força é igual à massa vezes a aceleração.

 

07/07
15:25

Seria o sofrido sentir

Seria o sofrido sentir

Que o tempo não ouvia

O vento sorrir

Que seria

 

O terceiro sentir

Uma pedra lançada ou um pinheiro

Cansado e sofrido e esquecido na madrugada

Que arde sem se ver no ser e no ir

 

Seria o sofrido sentir

Sentir o ver sentido

Que o tempo ajuda a esquecer

O sentido sofrido

 

Ou a vontade de morrer

Seria o sentido sofrer

Que sofrido o fora e no saber

A minha mão a arder.

 

07/07
15:00