Um dia questionaram a
charrua porque sorria
Se os seus braços
enterrados na terra
Eram o cansaço do dia
Um dia a charrua
questionou-se porque não sofria
Nunca chorava e nem sabia
A raiz quadrada de vinte
e cinco,
Eu que apenas sou eu e
nada mais do que eu
Questiono-me se
verdadeiramente
Quem mais sofria
Se era a charrua
Ou a terra bravia
Ou o dia,
Que deus só existe
Porque há almas penadas
Portas e janelas
encerradas
Que deus só existe
Que um dia
Alguém vai provar
Que a velocidade da luz
poderá ser controlada
Mais lenta
Ou mais acelerada,
Um dia alguém vai provar
Que é possível um
qualquer objecto ser teletransportado
Que hoje já é possível
teletransportar um electrão de um sítio para outro sítio, pequenino muito sítio
Que um louco ou que
loucos o são
Já conseguiram vejam lá
Manipular a velocidade da
luz
Um dia alguém vai provar
Que tudo isto não existe
E que tudo isto foi
apenas um sonho ou ilusão
E se a luz, e se a luz um
dia parar?
Como se fosse um
automóvel a estacionar
Uma cadeira vazia e dois
pratos sobre a mesa,
Ou o zagehalovmovel
tocar?
O que diria René
Descartes de toda esta merda?
O que diria Cristo a tudo
isto?
No sistema de eixos
cartesianos
Cristo está sentado lendo
e ao mesmo tempo cagando
Se cagando para nós
Para mim tanto faz
O pouco tempo que me
resta
Vou passá-los a ler e a
escrever e a foder, enquanto me deixarem e eu…,
Mas, e as Crianças?
Não vão à escola.
Têm fome.
Morrem por tudo
E até pelo dinheiro
Os fundos abutres
Sem escrúpulos
E sem nome
Ou asas,
E que se fodam as
crianças e as plantas e os pássaros
Porque o mais importante
de tudo,
É o dinheiro. O lucro.
Já ninguém lê Kundera
Já ninguém vai à janela
E questiona o mar
Por que razão sorria a
charrua,
E já ninguém lê poesia.
(que uns idiotas israelitas
conseguiram criar um embrião totalmente sintético, e que sobreviveu alguns
milésimos de milésimos de um segundo,
E quando esta merda viver
anos?
O que será do Mundo?
E já agora, perguntem à
charrua que sorria)
07/07
22:08