26 maio 2026

Ausência

 Fazes-me falta nesta folha de papel onde te escrevo

E desenho os teus olhos na alvorada do mar

Fazes-me falta nesta rua sem saída

Deste destino em te amar


Fazes-me falta na estrada da vida

Fazes-me falta a cada noite de luar

Fazes-me falta nesta folha de papel de onde também oiço o mar

E que tão longe está o teu olhar


E que me fazes falta nesta folha de papel

Que inventa no meu sonhar

Que um dia os teus lábios de mel

Eu vou beijar

Foi só um desejo, o beijo

Foi só um desejo, o beijo

Foi um ter não o tendo

Foi só um desejo, o beijo

Foi um ser não o sendo

 

Com o que escreve a minha mão

Foi só um desejo, o beijo

Foi um não vestido de sim

Foi só uma fogueira

 

E hoje é plasma

Foi só um desejo, o beijo

A cada esquina, em cada rua e jardim

A nua, a lua, foi só um desejo o beijo

 

Do oceano em delírio

Foi só um beijo o desejo

Foi só um desejo o beijo

E hoje é não é nada e é martírio.

24 maio 2026

Noite

A noite, meu amor, é o pincelar da manhã

No silêncio dos teus olhos

É o te amar

Na claridade do mar.


A noite, meu amor, é a 


 da chuva

Quando dorme no orvalho Da última luz

O mar, meu amor, em te desejar

Depois de um dia na escuridão da última noite.


Francisco

24/05

10:21

Que o livro seja o silêncio

Também é quase possível que o livro seja o silêncio

Da água que arde, na alvorada que também é silêncio

A noite que voou sobre a folha de papel e mel

Até alcançar a tarde no toque de uma fotografia


Também é quase possível que o livro seja o silêncio

Que cada sombra é uma espada, na palavra escrita, na palavra falada

Também é quase possível que a fogueira da chuva

Morra na espuma de um olhar


De um olhar quase bala

Disparada por uma espingarda, embriagada

Também é quase possível que o livro seja o silêncio

Que o livro seja o silêncio


24/05

Francisco

23 maio 2026

Uma sanzala que sou, cubata que fui

Uma sanzala que sou, cubata que fui 

Fui o vento que semeou 

Fui o vento que partiu 

E que nada levou 


Fui a casa que ruiu, à vida que fugiu 

Uma sanzala que sou, na rua que existiu 

E cubata que fui, e sanzala que sou 

Sou a noite que voou, sobre a cubata que fui 


Francisco 

23/05

20:41

Ser em não ter, a dor

Ser em não ter, a dor

Viver, e sentir o ser, a voz em flor

Na dor, a dor em viver

Ser em não ter


Ser e ter o fogo de arder, a dor

Na dor de o ser, eu o ser?

Ser em não ter, a luz do mar

No mar a arder


Do mar a correr, e ter o ser

Que sou a dor, que sou o vento

Que o vento me vai vencer

E a noite, e a noite morrer.


Francisco

23/05

20:18