01 março 2026

Dias de uma mágoa poisada sobre a mesa

A água está no toque do mar

Que o livro semeia o fogo

Na ribeira quase espuma

E sempre que o sono é quase gelo

A tarde lápide do meu desejo

É a melodia do teu olhar para disfarçar o teu corpo...

01/03/2026, 14:06

dois pontos de luz

se fossemos dois pontos de luz, se viajássemos à velocidade

de um beijo

se fossemos dois pássaros loucos, entre ventos e horizontes desmedidos

se fossemos duas luas, apaixonadas, nas cores de um de um livro

 

se fossemos apenas um silêncio, no teu horrível silêncio

que doi, que cansa, e que é primavera tempestuosa

se fossemos o mar, e sorriso do mar

quando acordam as flores em sua mão

 

se fossemos um rio em contramão, se fossemos o dia

e a noite, e a paixão

se fossemos a alegria, sem dor, e com muito pão

se fossemos apenas um corpo, um corpo

em desejo que espera pelo acordar do teu coração

 

01/03/2026, 07:06

sorriso da manhã

meu sorriso da manhã

que trazes o mar aos meus lábios

que afugentas os meus fantasmas

e me roubas o sono das noites de insónia,

 

meu sorriso das estrelas sem nome

que poisas no meu peito

que entras no meu peito

onde habita este meu pobre coração,

 

meu sorriso

das tristes e cinzentas manhãs,

sorriso meu

entre luares de inverno

e esta vida de inferno,

no inferno de desejar

que o mar

e o amar…

sejam o teu sorriso da manhã.

(inédito)


28 fevereiro 2026

Amar-te

Amar, te tocar

Ao pôr-do-sol na pele tua mão

Amar-te, te olhar

Pincelar os teus seios que também são as palavras que te escrevo

Sementes de sal na flor tarde do mar

28/02/2026, 15:08

Palavras de um corpo

O corpo extingue-se nas lágrimas do fogo

O corpo desaparece

E reaparece

Nos braços da madrugada,

O corpo finge

O corpo grita

Às estrelas de um doce olhar,

O corpo move-se

Contorce-se

E abraça-se ao vento

Quando o vento regressar

E novamente partir,

O corpo extingue-se

Dentro do teu corpo sempre que acorda a manhã,

O corpo escreve

Ao meu corpo

As palavras de um outro corpo,

Frágil

Doce

Meigo

Deste corpo que morre

Neste corpo quando se deita…

A triste noite ensonada.

(inédito)

tantas vezes que me perdi, que perdido em meu andar

estou, sentado, perdido

não encontrado

tantas vezes que me perdi, que de estar perdido

cansado, que tão cansado que estou

e perdido

que não mais serei encontrado

 

28/02/2026, 07:33

27 fevereiro 2026

Atlântida

à lareira, apareço vestido

e pareço um pobre feliz, e mendigo

e sou o destino felino, a aldeia perdida

na savana, o menino que às árvores subia

que depois, o capim, tão verde, crescia

 

e ninguém sabia, sabiam lá as almas sem o sol que ilumina, que subia, que subia

entre pobres soldados, entre ramos quebrados, que sabia

onde habitava o livro de poesia, à montanha em adeus, em zeus

e outros monumentos

 

santos, e seus

 

céus tive muitos, e tantas tive as estrelas do meu sonhar

nas águas e nas dezenas de outras manhãs, as pérfidas mãos quase gelo, quase

o beijo sobre a secretária, arde o cigarro, arde

tudo, e há uma lareira

 

uma lareira, e apareço vestido

e pareço um pobre feliz, e mendigo

e sou o destino felino, a aldeia perdida

 

na perdida, Atlântida.

 

27/02/2026, 22:17