15 fevereiro 2026
14 fevereiro 2026
O sono
Se tens sono compra uma enxada
Verte sobre a mesa um vinho copo
Um corpo vinho vestido de lua
Que ainda ontem tinha
Se tens sono compra uma pistola
E dispara para o mar
Se tens sono pega na pistola
Dá um tiro nos cornos
Deixarás de sono ter
Deixarás de ter quem te ame
E deixarás de ver o silêncio de uma seara
E finalmente deixarás de o ser
Um cão algemado também dispara contra o mar
Um colchão de pão
Sem saber
Que o sono é uma outra forma de amar
pertenço aos teus braços
pertenço aos teus braços,
hoje balanço
como o vento selvagem,
nos teus braços
hoje venço medos e
cansaços
e nas palavras eu danço
semeando o teu corpo com
palavras
com as palavras semeadas
que são primaveras amadas
nas palavras e nas
madrugadas
pertenço aos teus braços,
e hoje canto
sobre os embondeiros da
minha meninice
que às vezes tanto era o
vento
que o capim saltitava
como uma criança mimada
que pertenço aos teus
braços, até que a velhice
me vença e depois eu seja
mar e mais nada.
14/02/2026, 15:00
desejar-te dentro do poema
desejar-te quando a noite poisa nos teus
lábios
desejar-te como o luar deseja a noite
ou como o sol deseja o dia,
desejar-te dentro do poema
quando brinca na poesia,
desejar-te quando já és desejada
nas páginas de um livro
das manhãs de inverno…
desejar-te dentro deste inferno
que acorda em cada madrugada,
desejar-te enquanto és flor
semente semeada
desejar-te neste imenso mar
onde habitam as minhas palavras
onde morre a minha dor
onde escondo as lágrimas de chorar.


