08 outubro 2026

Adágio

O adágio primaveril

que ao cansaço da vinha

e das sombras de xisto,

nas veias o vinho,

das veias,

o abismo

e o rochedo,

na flora e na física

que cada incógnita é o medo

da porta,

não aberta.

 

Todas as portas

e todas as janelas

são tapumes

de luz

na claridade sentida,

da noite, no dormir,

no designar o sol

o sol da pirâmide,

um perfeito espantalho,

recheado e recheado,

ao deus, dará,

e se ele não quiser,

assim ficamos,

amigos,

o adágio primaveril

que ao cansaço,

 

eu pertenço.

 

08/10
00:03

07 outubro 2026

Era só um sonho

Zarpou a cabeça em direcção

ao eixo das abcissas

sem que o limite dos seios de (x),

quando o (x) tende para o infinito,

pudesse,

ao menos,

se sentar,

e escutar,

o sorriso do vento.

 

O sem cabeça,

agora assim conhecido,

agora,

mas se perguntarmos à derivada

do clitóris,

se amanhã vai chover,

- eu sei-te lá, nada sei, depois que a razão do inverno, elevado ao destino, qualquer coisa, assim, sim, amanhã,

chove.

 

Cabeças muitas nas planícies

e montanhas

deste caderno quadriculado,

que não é o fim,

nunca haverá fim,

para o fim-de-semana,

nos teus braços, ou,

sentir,

no meu corpo,

as pedras,

lançadas,

pelo teu olhar…

Era só um sonho.

 

07/10
20:13

Quem disse

Quem disse que a chuva era fria,

Quem disse que a poesia 

Era luz e alegria,

Quem disse que o vento 

Que o vento corria,

E que também sofria 

Com as destrezas do dia,

Quem disse um dia 

Que os teus olhos eram o mar 

E que os teus lábios o mel, que 

Que quem o disse, 

Só louco poderá estar,

Porque os teus olhos,

Porque os teus lábios,

Apenas, são;

Lábios, olhos,

E não são o mar,

Tão pouco, o mel.


07/10

15:11

Sonhos.

Desfeitos, quando não consegues cumprir o acordo financeiro com a universidade, e daqui a umas horas já é outro dia, e percebes que de nada valeu as últimas noites perdidas.

Sonhos,

Talvez o meu único sonho possível, seja estar, vivo.

Para quem nasceu com trinta dias de validade, já não é mau, estar vivo.

 

07/10

A espada e o vento

Serei a espada 

E o vento 

Na mão da serpente,

Serei o chover 

Em teus seios sós na madrugada,

Serei a lágrima vertida 

E chorada,

Serei o teu nome 

Na tua cama despida, e cansada,

Serei,

Serei o teu sonhar 

Quando a noite é o mar.


07/10

12:19

A canção da tua mão

Sentir a tua mão

é quase o delírio ausente

na canção da tua mão,

sentir,

o teu dedo, quase luz veneno

que é também

a estrela de uma noite que acordará

nos teus lábios,

e permanecerá

eternamente,

nos teus seios.

 

Sentir a tua mão em mim

de coitado que me sinto,

sentado, triste,

sentir,

o verniz do amanhecer

sobreposto na fogueira

do teu olhar,

que sentir,

a tua mão é quase,

o delírio ausente da tua boca,

na minha boca,

o sentir,

e o te amar.

 

07/10
11:35

Esse olhar

Eu não sei como se chamava esse vento que partiu para o nada e que era quase orvalho quando o fogo tinha uma fotografia na cabeça que não era o triângulo do mar, não era a noite que sonhou com o esqueleto da chuva nem a maré ausente do meu sofrimento.

Eu não sei de que era feito esse vento que partiu para o nada e que foi gente tanta gente, não sabendo que o vento estava no silêncio frio do dia e que não havia nada dentro do livro do amanhecer. Eu não sei,
E nunca o saberei, a quem pertence asse olhar.

07/10
02:26