24 junho 2026

Do mar ao vento

Do mar ao vento 

Lento o vento em seu lugar 

Vento sem tempo 

Do Tejo e de outro mar 


Do vento e do alento 

Que o vento de outro lugar 

Não é o vento lento 

Nem é o vento de amar 


Do mar ao lento 

O vento em seu acordar 

Do vento ao mar do mar sem tempo 

Quando o fogo é o vento e é o mar 


24/06

23:04

Na tua pele corre uma ribeira desalmada

Na tua pele corre uma ribeira desalmada

Da mão tua em punho a espada

Da tua pele a estrela solar

Das minhas palavras e do meu sonhar

 

Na tua pele corre uma ribeira sem fim

À procura do mar ou à procura de um jardim

Tantas são as flores da luz semeada em mim

Em mim sabendo que a luz é assim

 

Que a luz me vai envenenar

Entre as montanhas do viver e o medo do luar

Na tua pele corre uma ribeira desalmada

No silêncio da minha triste madrugada

 

24/06
22:07

O alegre ser, nunca o sendo Ser

O ser o dia nunca o sendo nem o sentindo, poesia

Erva bravia, vaca louca, romaria

Montanha apache e distante da loucura

Que se dispa, que se foda

A árvore e os frutos da árvore

A abelha que pica e que pica, e que alérgico eu o sou

Tão alérgico, que incho, e que me empolgo

Subindo, subindo

Me fodendo, me fodendo

 

Me erguendo, levando não levando ou até

As dúzias campânulas da sorte, as argolas

As cordas

As balas

E as facas

E

Ser o dia nunca o sendo, sabendo

O alegre ser, nunca o sendo

Ser

 

24/06
21:31

ausência

será a ausência capaz de ser, o livro do ênfase milagre

será a ausência capaz de ser, a tua pele em página poema

no desencontro da cidade

ou numa lareira em chama

 

será a ausência a tua cama, sentindo o frio

violento da solidão, será a ausência o mar

dos teus seios em delírio

no delírio de amar

 

amar uma mão

será a ausência capaz de ser, ser sem medo de o ser

ser a alegria do coração

 

será a ausência capaz de me dar

palavras para eu te escrever

e muitos sonhos para eu te sonhar…?

 

24/06
21:07

Ontem

Ontem éramos dois solstícios em contramão 

E pertencíamos e éramos a luz do mar 

Ontem éramos o luar 

Ontem éramos o sonhar 

Ontem éramos dois solstícios em contramão 

Com medo de amar 


24/06

13:49

E se o tempo não existir

E se o tempo não existir

E se o tempo apenas existir no nosso tempo

E se o tempo for apenas um algoritmo

Ou um poema sem tempo e em chama

 

Ou uma erecção

Ou gemido na tua cama

Se o tempo e se o tempo não existir

E ser o tempo o teu sexo em lágrimas

 

E os teus seios um rio

Sem tempo e sem palavras

No tempo de não existir

Sem tempo ou sem lágrimas

 

24/06
12:51

Às tantas páginas, lágrimas tantas

Às tantas páginas, lágrimas tantas

Palavras amargas

Noites envenenadas

Às tantas páginas

 

Lentas e tormentas

As sílabas do poema em morte

Às tantas e outras páginas

E lentas e tantas as palavras

 

Nas outras páginas

Às páginas tantas

E que tantas foram as lágrimas

Sobre as palavras e sobre as páginas amadas

 

24/06
12:36