24 setembro 2026

Boca mecânica

O pão tem boca mecânica,

e mandibulas em aço,

S355, quando se aproxima

dos meus lábios, quase

a tocar-lhes, cada um das centenas de

dentes,

também em aço, mastigam

e depois esquartejam cada

pedacinho dos meus,

lábios.

 

O pão hoje, está triste

e quase não quer, hoje,

nenhum

pedacinho,

dos meus lábios,

e sinto na boca o peso

da sombra, sobre a cabeça,

na infinita maré de sémen, na praia

quase horta,

deserta

e morta.

 

Diz-me ele, segreda-me ele, que há

uma carta escrita para o meu endereço,

e eu,

penso,

e se eu, e se eu não a mereço?

Cartas, já ninguém escreve na sagrada,

a terra,

depois

de lavrada, depois,

depois, de sonhada.

 

24/09
20:01

THE SOUNDS OF SILENCE - SIMON & GARFUNKEL

Versos de escrever

Nada mais tenho para te dar, a não ser 

Versos, sonhos loucos ou uma viga a colapsar.

E é tão fácil te escrever,

E é um inferno em te amar,


Que às vezes me pergunto para que queres tu os meus versos de escrever,

Se eu não tenho mais nada

Para te oferecer,

Apenas tenho versos, versos de escrever.


Nada mais tenho para te dar, a não ser

Vergonha, e versos e estórias do mar,

E que os meus versos de escrever 

Sejam o teus versos de amar.


24/09

14:18

As estrelas do teu olhar

(para ti, meu amor)

 

Onde estão, as estrelas do teu olhar

onde poisam, as flores do teu olhar

e brincam,

as páginas-lírio do teu olhar…

 

Onde escondes, as lágrimas do teu olhar

o que fazes, tu, com o mar do teu olhar

quantas são, meu amor, as estrelas do teu olhar

pelas quais o meu olhar, se enamora…, e sonha.

 

(in, o farol, livro de poemas do autor)

(mas o sol teima em não acordar, e a noite, e a noite é sempre noite, sem o luar)