O pão tem boca mecânica,
e mandibulas em aço,
S355, quando se aproxima
dos meus lábios, quase
a tocar-lhes, cada um das
centenas de
dentes,
também em aço, mastigam
e depois esquartejam cada
pedacinho dos meus,
lábios.
O pão hoje, está triste
e quase não quer, hoje,
nenhum
pedacinho,
dos meus lábios,
e sinto na boca o peso
da sombra, sobre a
cabeça,
na infinita maré de
sémen, na praia
quase horta,
deserta
e morta.
Diz-me ele, segreda-me
ele, que há
uma carta escrita para o
meu endereço,
e eu,
penso,
e se eu, e se eu não a
mereço?
Cartas, já ninguém
escreve na sagrada,
a terra,
depois
de lavrada, depois,
depois, de sonhada.
24/09
20:01