Se eu fosse o vento,
baloiçava
O teu cabelo, sentindo
O perfume do rio, sentado
No silêncio do rio
Se eu fosse o vento,
brincava
Nos teus lábios, sentindo
o mel
Vestido, na minha boca,
na
No sorriso da partida.
07/09
02:51
A espuma do sorriso,
quando desce a calçada,
O silêncio de uma
espingarda, e a espada
Desalinhada, e espetada
Na palavra escrita, e já
morta
À lápide, ela pertence
Que da janela vê o livro
sombreado,
E poisado
Ou, talvez, esquecido
Sobre a mesa pedra de uma
mão, o sol dispara
Contra a ferrugem da
colmeia, quase em chamas, quase
Adormecida na noite em
contramão, e uma rua
Sem saída, acorda junto a
mim, e pega na minha mão.
07/09
01:08
Os olhos da chuva são as
janelas
do sorriso, da lua
e do mar,
são as flores, do teu
olhar
são a voz, a tua voz,
ausente
e sempre, sempre a voar
na já cansada noite,
o colchão é um grão de
areia
na longínqua, e distante
praia, praia da branca,
areia
lá me deitava, lá
inventava
a chuva envenenada,
a lágrima, chorada,
lá, lá eu brincava,
e lá, lá eu sonhava
que os olhos da chuva,
são
são o poema que procura,
a cama
e o beijo, e a mão
sobre o peito, da chuva.
06/09
22:35
As mil folhas do meu
viver, são
Apenas cinzas, e pedacinhos
de papel
Que o vento levará, e ao som
do
Mar, ao mar eles pertencem
Das mil folhas do meu
viver, as palavras
Levitam sobre o pêndulo
da solidão, a pele
Adensa-se e veste-se, de
desejo
Que nem todas as mil
folhas do meu viver
Sejam cinza, ou os
pedacinhos
De papel que o vento levará,
E que ao mar pertencem, e
o são
O silêncio, o meu.
06/09
10:15
É quase um grito, o
oceano teus seios
Sangrando o perfumado e
desejado, luar de inverno
Quando a lareira é apenas
um silêncio, de luz
Sobre o livro poisado na
mão, da noite.
É quase a geada, a tua
doce pele de amêndoa
Na vertigem de uma
janela, na voz ausente
Da migalha que sobrou, do
ontem fumado
No hoje já quase
escuridão.
É quase um grito, o
oceano teu seios
Na vertigem simplificada,
a dor
No peito da árvore, se
cada mão que a toca
É um pássaro
envergonhado, na despedida do amar…
05/09
19:28