07 setembro 2026

Se eu fosse o vento, baloiçava

O teu cabelo, sentindo

O perfume do rio, sentado

No silêncio do rio

 

Se eu fosse o vento, brincava

Nos teus lábios, sentindo o mel

Vestido, na minha boca, na

No sorriso da partida.

 

07/09
02:51

A espuma do sorriso

A espuma do sorriso, quando desce a calçada,

O silêncio de uma espingarda, e a espada

Desalinhada, e espetada

Na palavra escrita, e já morta

 

À lápide, ela pertence

Que da janela vê o livro sombreado,

E poisado

Ou, talvez, esquecido

 

Sobre a mesa pedra de uma mão, o sol dispara

Contra a ferrugem da colmeia, quase em chamas, quase

Adormecida na noite em contramão, e uma rua

Sem saída, acorda junto a mim, e pega na minha mão.

 

07/09
01:08

06 setembro 2026

Os olhos da chuva

Os olhos da chuva são as janelas

do sorriso, da lua

e do mar,

são as flores, do teu olhar

são a voz, a tua voz, ausente

 

e sempre, sempre a voar

na já cansada noite,

o colchão é um grão de areia

na longínqua, e distante

praia, praia da branca, areia

 

lá me deitava, lá inventava

a chuva envenenada,

a lágrima, chorada,

lá, lá eu brincava,

e lá, lá eu sonhava

 

que os olhos da chuva, são

são o poema que procura, a cama

e o beijo, e a mão

sobre o peito, da chuva.

 

06/09
22:35

Mil folhas do meu viver

As mil folhas do meu viver, são

Apenas cinzas, e pedacinhos de papel

Que o vento levará, e ao som do

Mar, ao mar eles pertencem

 

Das mil folhas do meu viver, as palavras

Levitam sobre o pêndulo da solidão, a pele

Adensa-se e veste-se, de desejo

Que nem todas as mil folhas do meu viver

 

Sejam cinza, ou os pedacinhos

De papel que o vento levará,

E que ao mar pertencem, e o são

O silêncio, o meu.

 

06/09
10:15

05 setembro 2026

É quase um grito, o oceano teus seios

É quase um grito, o oceano teus seios

Sangrando o perfumado e desejado, luar de inverno

Quando a lareira é apenas um silêncio, de luz

Sobre o livro poisado na mão, da noite.

 

É quase a geada, a tua doce pele de amêndoa

Na vertigem de uma janela, na voz ausente

Da migalha que sobrou, do ontem fumado

No hoje já quase escuridão.

 

É quase um grito, o oceano teu seios

Na vertigem simplificada, a dor

No peito da árvore, se cada mão que a toca

É um pássaro envergonhado, na despedida do amar…

 

05/09
19:28