16 agosto 2026

Charrua

Cada charrua engasgada na sagrada

Terra lavrada,

Cada charrua, branca, e triste

E cansada

 

Cada charrua, aprisionada

E que sem o saber, já não é charrua

E

Nem é nada

 

Cada charrua, dorida

E ferida

Sem terra para lavrar

Na tarde em seu silenciar

 

16/08
15:08

Ofício de amar – AL Berto

já não necessito de ti
tenho a companhia nocturna dos animais e a peste
tenho o grão doente das cidades erguidas no princípio doutras
[galáxias, e
[o remorso

um dia pressenti a música estelar das pedras, abandonei-me ao silêncio
é lentíssimo este amor progredindo com o bater do coração
não, não preciso mais de mim
possuo a doença dos espaços incomensuráveis
e os secretos poços dos nómadas

ascendo ao conhecimento pleno do meu deserto
deixei de estar disponível, perdoa-me
se cultivo regularmente a saudade de meu próprio corpo

 

(Al Berto)

A tua pele

A tua pele

É o silêncio de um suspiro

A tua pele

É a seda escoar sobre a minha

Pele, em brasa

 

A tua pele

É o beijo, é o te tocar

Na tua pele, na minha boca

Em silêncio

 

16/08
11:54

Agosto, é isto

 

16/08
04:20

As feras mecanizadas

As feras mecanizadas, na voz rouca

E dissimila, o caixote das ferramentas

Sobre a almofada escondia, às vezes

O sono, sem dono

Nunca teve dono, o meu sono

Tão pouco, teve corpo

O sono do meu corpo

 

Era insónia

No teu corpo na véspera sentada, sobre

A cama, te toco

E sei, era insónia

Na caminhada do ser.

 

16/08
02:45