Um dia, disse ao meu pai
Um dia, pai
Mas não sendo eu pai, um
dia lhe disse
Que um dia, eu seria
A seara envenenada. Tão só
Como o frio de uma espada.
Que um dia, eu lhe disse,
que um dia, eu
Sim, meu filho
Tu.
Que um dia, eu lhe disse
Quando um dia, eu teria
Que nem a terra me comia,
que um dia
O mar tinha flores, e
E meninos a brincar, na
espuma
Quando às vezes se
escondiam nas sós
E muitas sós, um dia, as
Conchas, abandonadas, a
fria areia e branca, do outro
Lado,
Do mar.
No outro silêncio da
chuva, que um dia, eu lhe disse
Lhe disse que um dia, eu
o seria
Clara, claro que ele não
acreditava, que também eu, tal como ele
Um dia, eu tal como o
seria, mas às vezes, não o sendo
Lhe dizia, pai
Olha que um dia!
Estás, maluco, pá.
Que um dia, eu como tu
O seria, sabes, pai
Um dia, lembras-te,
daquele, dia
Em que os teus olhos pareciam
a chuva, molecular sobre os candeeiros da alma, e eu sabia, e tu sabes, que eu
um dia
Nada,
Nada o seria.
08/08
18:35