05 outubro 2026

O viajante

Na viagem sente o viajante o cansaço e o peso da espuma que seduz a árvore ausente, e que arremessa contra o clitóris, a infernal distância que separa os teus seios, da outra metade da laranja.

 

Saberia eu se o sentido proibido de caminhar sobre as brasas clandestinas da noite, que o prazer se alicerça quase em ruínas, que de sucata se compõe, a rua do meu sorriso.

 

Saberá a laranja, a metade da laranja, a razão inversa de ser, a derivada quase perfeita, dos teus seios míseros, no vento, capazes de levitar todos os barcos, do oceano, cinzento, e escuro.

do meu viver.

 

Sou o viajante desta triste e longínqua, e sem fim, viagem, viver, não tendo medo de, mas o desejo, de

 

ser,

qualquer coisa,

seja ela, qual for,

de,

 

ter.

 

05/10
13:57