08 outubro 2026

Há quanto tempo é tempo de sentir o tempo frio do teu ombro

Há quanto tempo é tempo de sentir o tempo frio do teu ombro, há quanto tempo, o tempo é incompleto, distante na grandeza, e na destreza da mão que empunha, a lâmina capilar dos quatro sentidos, perdidos eles, também no encanto, do tempo.

Há quanto tempo, o perfume da tua pele sempre apressada, e sempre, sempre sem tempo, deste obreiro, tempo.

 

Há quanto tempo não existem cravos neste jardim, roseiras, bananeiras, e mangueiras, perdidas e esquecidas, no tempo, rodeadas de sombras, essas, com todo o tempo do universo,

Há quanto tempo não me envias um verso, uma palavra, ou até, uma pedra,

Lançada contra mim, e contra o tempo, sem tempo e em busca de outro vento, esse, esse com mais,

Tempo.

 

Há quanto tempo não sinto a tua mão procurando no tempo, o prazer, o lazer, do tempo, há quanto tempo que não sei a cor dos teus seios, despidos, nus, semeando ventos, no tempo, e nos lençóis, também sem tempo, também,

Sem vento, e no entanto,

Oiço a voz do tempo:

Há quanto tempo, o tempo que não existe, que nunca existiu, essa coisa, a que chamos, de tempo.

Não, não existe o tempo, ninguém sabe, e de que cor são os olhos, do tempo, da noite, no teu tempo, tão longe, que deixou de haver, tempo. E noite.

 

08/10
18:45