01 outubro 2026

As sombras do meu corpo

Têm fome

os móveis,

têm fome

porque durante

a noite, oiço-os,

e oiço os arrotos

das canalizações,

e há sempre

um barulho,

qualquer, a

a interromper,

o silêncio.

O silêncio, da

noite.

 

Têm

fome, têm

fome as sombras

do meu corpo,

tanto deserto e

a luz parece um

círculo, sempre,

sempre na direcção

errada, da distância

percorrida, pela

estrada.

 

Têm

fome os meus

sonhos,

erráticos,

obsoletos na forma

e na

encarnação,

que ao quarto dia de vida,

ressuscitam,

e voltam

a morrer,

depois,

anos mil depois.

 

01/10
21:53