Têm fome
os móveis,
têm fome
porque durante
a noite, oiço-os,
e oiço os arrotos
das canalizações,
e há sempre
um barulho,
qualquer, a
a interromper,
o silêncio.
O silêncio, da
noite.
Têm
fome, têm
fome as sombras
do meu corpo,
tanto deserto e
a luz parece um
círculo, sempre,
sempre na direcção
errada, da distância
percorrida, pela
estrada.
Têm
fome os meus
sonhos,
erráticos,
obsoletos na forma
e na
encarnação,
que ao quarto dia de
vida,
ressuscitam,
e voltam
a morrer,
depois,
anos mil depois.
01/10
21:53