05 outubro 2026

Amanhecer

Já nada faz sentido

no sentir e no viver,

no sorrir e no escrever,

já quase que é silêncio

dentro do silêncio,

no amanhecer,

sempre na corrida sem tempo,

na distância entre um olhar,

e o vento.

Já quase nada faz sentido

no sentir

a vergonha de o ser,

sem o saber,

sentir a máquina de tricotar

na cabeça em

fatiadas migalhas de

alvorada,

quase, quase que ao nascer,

a flor se apaga a escuridão,

e

o meu corpo,

já quase nada sente,

neste pequeno,

sentir,

sentir que há

gente na praia

morrendo,

e sofrendo,

porque já nada faz sentido,

no ser,

e no,

vivendo.

 

05/10
11:34