Lavrei a terra
Para o leito da morte
Sobre ela desenhei a cama
E um rio e uma janela,
E nesta terra lavrada
Pergunto-me o que posso
eu cá semear
E da caneta vou construir
uma enxada
E no papel onde escrevo lá
vou deixar
Uma palavra de luz e de
esperança,
Lavrei a terra para o
leito da morte
Sem saber se esta terra lavrada
Irá chegar um dia para o
meu aconchego e destino,
Porque não há terra
lavrada e semeada
Que alegrem o meu menino
Tão pouco tenho uma terra
encantada
Ou sítio para escutar o
toque do sino.
24/09
06:48