09 agosto 2026

Os lábios de um papagaio de papel

(9 de Agosto de 1988, terça-feira, quase almoço

A disponibilidade, chego a casa, poiso a mobília no chão, beijo a minha mãe,

E zarpei,

Quase dois dias, por aí

 

Quase, noite, quase noite adentro a noite, no passeio contiguo, o mais lindo andar, como se fossem flores nas lágrimas de uma abelha, no mel

Desesperada

 

E por aí, andei

E a noite entrava, o andar, de vez em quando

Passava,

E eu por aí, por aí… fiquei)

 

Os lábios de um papagaio de papel

 

Os lábios de um papagaio de papel, das mãos trémulas e tão pequeninas, entrelaçadas, nas mãos da mãe, e na sombra colorida, um cordel e um sorriso

Nos lábios do meu papagaio de papel,

 

Ele o era, em alegria, dizendo ao vento

Que um dia, dizendo à voz embargada e branca, que o vento lhe irá trazer, também um dia, também, quem o sabe e sem o querer, um papagaio de papel, nos lábios do amanhecer,

 

E se um dia ele mo trouxer, que seja durante a noite, porque as estrelas sentem no olhar, as cores do meu papagaio de papel, de papel dançando no vento, dançando no chover

Sem perceber, porquê tanto silêncio, tem o vento.

 

09/08
22:22