06 agosto 2026

O socalco

O socalco, à enxada que escreve no xisto

cada traço, e nova viagem

uma viga alveolar no seu desistir

de continuar

de ser uma viga alveolar

na razão

e no sonhar

 

Olho-a e nada o é depois de vir, do outro lado da sombra

o socalco almejar, em brando foguear, na tristeza quando a raiz de uma pedra procura

na terra

o esconderijo da rua sem saída, sem

no socalco palmilhado, rio acima

rio enforcado

 

Viga alveolar no meu espelho em frente

ao mar, o que seria do momento flector e da tensão, e da flecha

e na espada a mão, e no olhar

o sítio mais obscuro da morte, morte

da viga alveolar

enquanto o socalco é a dor,

nas asas incandescentes do luar

 

06/08
04:17