08 agosto 2026

Na fúria, de um negro buraco

Na fúria de um negro buraco, na campânula se o sentir

no dizer, no sorrir

da fúria ausente, na semente, às palavras

a erva, devorada, amada

lançada na maré nocturna da solidão,

 

Construir no ouvido a escuta, no milagre

a fotografia em despedida, dita

escrita

na terra quase sabão macaco, no outro corpo

sem corpo, sem

olfacto,

 

Na fúria de um negro, buraco

o meu corpo na guerra e na insónia entre a solidão e a canção do rio, cansado

no dito e no ditado, na escola, no recreio

porque hoje, hoje é sábado

na fúria, de um negro buraco.

 

08/08
22:07