28 agosto 2026

Da janela do meu quarto,


(à Cristina)

Da janela do meu quarto, (Álvaro de Campos-in A tabacaria), da janela do meu quarto, há rios, e há montes, e pontes

No ar

Da janela do meu quarto, há flores, e sombras

À janela, do meu quarto, há oceanos, e há mares

E pedras, e espingardas,

Todas, todas elas, desarmadas

Todas.

 

Na janela do meu quarto, fumo, pego no vento

E brinco, com o vento

Sentindo, na mão, o nome da mãe

Quando na serra, da serra

Ao fundo, o mar

Ao perto,

Da janela do meu quarto,

Os teus olhos, meu amor.

Sempre, sempre à janela do meu quarto.

 

28/08
22:26