dois viajantes vagueando
sobre o silêncio da noite
comendo pétalas de
chocolate embrulhadas em poemas desejo
como o mar
amar os lábios da paixão
quando estrelas dançam
nos teus cabelos de porcelana,
dois viajantes
apaixonados nas palavras invisíveis
folheadas pelas mãos tuas
em desenhos sonhos amanhecer
comendo-me
comendo-te...
dois simples braços e
mãos... entrelaçadas na alvorada,
o corpo arde na tela da
insónia como acrílico sombreado das nuvens embriagadas
sobre mesas e cadeiras
sobre ti e sobre mim
o corpo
o teu corpo rodopiando ao
som da garganta de um relógio de parede,
sonolento os olhos teus
dançando nos versos da manhã
o medo entranha-se-te nos
dedos sisudos
e a melancolia absorve-te
as pálpebras encarnadas que o Sol esconde
e alimenta comendo-te
comendo-me... sem saber
que éramos de brincar...