31 agosto 2026

A inveja

Às vezes, dizem-me, dizem-me que não devo contar os meus sonhos, ou desejos

Porque há invejosos, porque

Porque sinceramente, quero que os invejosos, se fodam,

Se, fodam. Todos.

Sim, regressei à Novinha Universidade Politécnica de Bragança, e futura Universidade de Bragança e do Norte Interior, um orgulho, ter lá estudado. Há uma disciplina para terminar, e alguns parágrafos da tese, para corrigir, assim está há mais de três anos.

Um dia, sentado no gabinete número 47, o senhor professor doutor Luís Mesquita, aos berros, dizia-me

- vai desistir agora, Fontinha? Desistir é para os fracos…

E eu, e eu não sou fraco.

 

 

A carne carece, e apetece, beijar

O sangue em rios, o vinho, na trovoada matinal, ouvem-se

As cansadas e tristes, pedras da calçada

A abelha, e o mel

Sobre a pedra invisível, do sono

 

A espingarda, suspensa no ombro

Sob a árvore, o silêncio de uma bala, nos olhos

Da espada, e do sabre

A voz, a voz

Embriagada

 

Dirigindo-se para o abismo, onde

Dormem as sombras e os pinheiros, e o mar

E a melodia, de uma vírgula

Cravada, no peito

No peito, a imagem de Virgem Maria.

 

31/08
21:43