19 julho 2026

O cosmos

O cosmos, a algibeira ensanguentada

O infinito, o outro lado do espelho

Tanto é o cansaço

Muitas são, mais do que a chuva

As pedras que me lançam

Na calçada da noite,

 

A viagem ao centro da galáxia

O latejo do cão, o gato do miau

O puto que arremessava sombras contra

Os vidros da escola, e depois

Escondia-se no silêncio de uma espada

Tão velha, e tão cansada,

 

Como uma roda, uma roda dentada

Dezassete dentes, aço do melhor, vento ao acaso

O silicato, o potássio, o tungsténio, aflito

Ele, um génio

Dificilmente ausente, comprado

E revendido na feira da ladra,

 

Ão, ão

Sábado, ontem tínhamos as folhas

De luz na claridade da ausência, e hoje

As palavras são desencontros

Na espuma

De um caderno sem quadrícula.

 

19/07
00:50