O cosmos, a algibeira
ensanguentada
O infinito, o outro lado
do espelho
Tanto é o cansaço
Muitas são, mais do que a
chuva
As pedras que me lançam
Na calçada da noite,
A viagem ao centro da
galáxia
O latejo do cão, o gato
do miau
O puto que arremessava sombras
contra
Os vidros da escola, e
depois
Escondia-se no silêncio
de uma espada
Tão velha, e tão cansada,
Como uma roda, uma roda
dentada
Dezassete dentes, aço do
melhor, vento ao acaso
O silicato, o potássio, o
tungsténio, aflito
Ele, um génio
Dificilmente ausente,
comprado
E revendido na feira da
ladra,
Ão, ão
Sábado, ontem tínhamos as
folhas
De luz na claridade da
ausência, e hoje
As palavras são
desencontros
Na espuma
De um caderno sem
quadrícula.
19/07
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