29 julho 2026

Na esquina do amar

Na esquina do amar

o fogo em verso e lágrimas

que não é o pincelar da luz

no silêncio dos outros,

a urna metáfora que avassala

a maré de um relógio, quando

o gélido sargaço acorda

e a mãe já está na cama com o dia extinto

e longe do mar.

 

O amar é quase uma fotografia

que o livro semeia na alvorada,

do fogo apenas sobrou a ausência de uma mágoa,

mas hoje é alegria, sentida,

que também no livro

semeia a cabeça da chuva,

sonha, e assassinou todos os sonhos que tinha,

e novos sonhos são pedras que não têm nome,

essência obscura da última noite.

 

Um lápis de cor que o vento trouxe

no toque do orvalho quando na terra

a paixão morreu de cansaço

e agora é esquecimento,

é alegria e liberdade no nocturno

e violento desejo,

o desprezo,

o saber e a minha mão

na boca do inferno.

 

Uma calçada em verso e lágrimas,

que é o nojo de uma pirâmide em cima da última madrugada anunciada,

vai e não voltará mais ao meu escrever.

 

Sorrisos falsos,

dos falantes verbos do corpo,

e não passa disso.

 

E de nada lhe serve o olhar materno,

quando em si esconde a voz do diabo.

 

29/07
18:26