Na espuma invisível do
olhar, sempre que é noite
A chuva é a lápide da mão
Que na bravura, que na
morte
Deixa no chão, um nome
Um invulgar nome, o
tributo mais distante
Da ausência, e da
infância
Que ao fundo, corredor
longe
A porta, a janela que se
veste de barco
O pássaro que nunca voou,
tão pouco quer aprender a voar
O poeta que morre por
falta de palavras
Porque a noite é uma
farra, porque a noite é o caixão
Dos pássaros que nunca
voaram
Porque há pássaros que o
são, na espuma invisível do olhar
O livro finge, tudo
finge, fingem que sou um embaraço
Laço, no pescoço milagroso,
a corda simples como o pão
Na mesa simples como a
chuva
10/07
04:53