10 julho 2026

Na espuma invisível do olhar, sempre que é noite

Na espuma invisível do olhar, sempre que é noite

A chuva é a lápide da mão

Que na bravura, que na morte

Deixa no chão, um nome

 

Um invulgar nome, o tributo mais distante

Da ausência, e da infância

Que ao fundo, corredor longe

A porta, a janela que se veste de barco

 

O pássaro que nunca voou, tão pouco quer aprender a voar

O poeta que morre por falta de palavras

Porque a noite é uma farra, porque a noite é o caixão

Dos pássaros que nunca voaram

 

Porque há pássaros que o são, na espuma invisível do olhar

O livro finge, tudo finge, fingem que sou um embaraço

Laço, no pescoço milagroso, a corda simples como o pão

Na mesa simples como a chuva

 

10/07
04:53