A fúria do herói que
dançava nas esferas do mar,
limitava-se na esquina da
morte
como se fosse um pedaço de
chuva quase a chegar ao vento,
mas não sabia que era só
a noite que ficava em verso,
o corpo todo entupido de
gesso
e de humidade que o fogo
deixava ficar na cama.
Havia um relógio que não
tinha motor nem maré ausente no sofrimento da cidade,
cada sombra aprisionada
era o dia disfarçado de mentira,
e Novembro deixava de
pertencer ao pé coxo,
e rosas dentadas e
sentadas na alvorada que o livro gritava como um guarda-chuva faminto,
vulgar,
e desprezível no toque e
no saber,
as palavras eram vozes de
argamassa cinzenta
e podre da atmosfera que
cada mulher trazia no ventre acorrentado ao cérebro defunto da mão esquerda.
Ninguém sabia o nome
daquela vagina página onde a abelha semeava a geada
e a enxada veio ao oceano
de luzes e de urzes,
o destino,
é a melodia que do verbo
quando toca nos seios do mar,
que outro poema poderá
escrever a cidade na alvorada?
E ninguém saberá um dia o
nome daquela madrugada em que a fúria do herói morreu.
Tantas eram as palavras
que o corpo do cansado aço lançava sobre a folha e a loira poeira que habitava
os doces cornos da colmeia. A laranja cai sobre a mesa capaz de rasgar o
ventilador desligado do chão,
que a fúria pisa e que o
corno,
o leão da selva,
transportava na ausência do limão envenenado pela escuridão da selva.
Mas o corno sabe-o e
ameaça a gaivota que também está na cama do luar.
30/07
21:11