13 junho 2026

O pastor

Às vezes parece que nada dá certo, no entanto

Ninguém sabe ao certo, o que é o certo

E o que é o errado

Às vezes multiplicado por muitas vezes, obtemos pequenas vezes, dissipando tormentos

Trazendo na mão, ruídos e ventos

E mesmo assim, está certo, está errado

A vaquinha come a erva, no entanto

Ninguém sabe ao certo, nem o nome da vaquinha

E tão pouco o silêncio do pastor

E mesmo assim, o certo

E o errado, são apenas sombreados da noite

 

O pastor sentado

Ao som do saboreado manjar da vaquinha, a fresca erva da manhã

Ele lê poesia, e pincela o horizonte com coloridas nuvens…

E é certo que amanhã é domingo, e que é errado

O pastor ler poesia, porque dizem, lá está

Não sabendo eu se é certo ou se é errado, dizem

Que ler poesia tira o tesão, e mesmo assim, é certinho

Que amanhã o pastor, descobre que a vaquinha já comeu toda a ervinha, coitado do poeta

Que escreve para pastores, que lêem poesia

Enquanto a vaquinha,

Come toda a erva

Que está, errado

 

13/06
02:07

(algures em Carvalhais, eu, a vaquinha do tio Serafim que dava pelo nome de “amarela” e o infinito silêncio do milho dançando na espuma da noite)