O espaço desértico, o vento abstracto
O rio sonâmbulo, o rio
O rio sem rumo, o rio sem
voz
O tempo-espaço, a
curvatura da sombra
Quando o meu corpo, arde
E se afoga no rio
O espaço-tempo, o ecléctico
do desejo, a lua
A equação exponencial sem
solução real
Eu, sem solução, real
Talvez eu pertença ao
conjunto dos números complexos, que tão complexos que o são
Que são, constituídos por
uma parte real e por uma parte imaginaria, do tipo (-i, 2+3i, ou -4i+1)
E o poeta tempo perdeu
com toda esta merda, digamos que:
O espaço desértico, o
vento abstracto
O rio sonâmbulo, o rio
O espaço, não existe
O tempo, não existe e
apenas pertence a cada um, uma pedra, não sabe o que é o tempo
Se está ali sentada há
muito tempo, ou sem tempo o está
E nem conta deu que se
sentou
E se apulou, sempre sem
tempo
Este
E aquele tempo
Acreditava que não
existiam raízes quadradas de números negativos, a não ser, e claro, os nossos amigos
de há pouco, os números complexos, existem raízes quadradas de números
negativos, dir-me-ão
O poeta é um grande
aldrabão, olhe que não
Não
Que não o é
Na vossa calculadora,
sim, o resultado do visor é indeterminado
Quanto ao resultado na
minha calculadora, ela
Mostra-me
Lá está,
O amiguinho do número
complexo,
E quis o gajo que o
descobriu, dizer
Que este número tem uma
parte real e uma outra parte imaginária,
E por aqui ficamos, e
vejamos
Se continuássemos, bom
É extremamente fodido
resolver equações com números complexos, mesmo, e muitas eu resolvi, pela noite
quase silêncio, quando quase em transe, quase com a cabeça sobre papeis e mais papeis
e mais papeis, e mais equações
E sentia a mão da minha
mãe sobre o ombro; calma!
Me despeço,
Com amizade,
O.
25/06
21:35