25 junho 2026

O espaço desértico, o vento abstracto

O espaço desértico, o vento abstracto

O rio sonâmbulo, o rio

O rio sem rumo, o rio sem voz

O tempo-espaço, a curvatura da sombra

Quando o meu corpo, arde

E se afoga no rio

 

O espaço-tempo, o ecléctico do desejo, a lua

A equação exponencial sem solução real

Eu, sem solução, real

Talvez eu pertença ao conjunto dos números complexos, que tão complexos que o são

Que são, constituídos por uma parte real e por uma parte imaginaria, do tipo (-i, 2+3i, ou -4i+1)

E o poeta tempo perdeu com toda esta merda, digamos que:

O espaço desértico, o vento abstracto

O rio sonâmbulo, o rio

 

O espaço, não existe

O tempo, não existe e apenas pertence a cada um, uma pedra, não sabe o que é o tempo

Se está ali sentada há muito tempo, ou sem tempo o está

E nem conta deu que se sentou

E se apulou, sempre sem tempo

Este

E aquele tempo

 

Acreditava que não existiam raízes quadradas de números negativos, a não ser, e claro, os nossos amigos de há pouco, os números complexos, existem raízes quadradas de números negativos, dir-me-ão

O poeta é um grande aldrabão, olhe que não

Não

Que não o é

 

Na vossa calculadora, sim, o resultado do visor é indeterminado

Quanto ao resultado na minha calculadora, ela

Mostra-me

Lá está,

O amiguinho do número complexo,

E quis o gajo que o descobriu, dizer

Que este número tem uma parte real e uma outra parte imaginária,

 

E por aqui ficamos, e vejamos

Se continuássemos, bom

É extremamente fodido resolver equações com números complexos, mesmo, e muitas eu resolvi, pela noite quase silêncio, quando quase em transe, quase com a cabeça sobre papeis e mais papeis e mais papeis, e mais equações

 

E sentia a mão da minha mãe sobre o ombro; calma!

 

Me despeço,

Com amizade,

 

O.

 

25/06
21:35