Ao deus-dará o que ele me
trouxer
Que nunca nada me trouxe,
a não ser
A vida
A merda da minha vida
Mas deus tem muito quer
fazer
E não tem tempo para
tomar conta da minha vida,
Menos tempo eu tenho, e
deus dá-nos o tempo
Ao deus-dará no incerto silêncio
de uma espada, sem nome
Nem ventre, apenas uma
espada
A espada da solidão
E da fome
Ao deus-dará o que ele me
trouxer, e se simpático o for
Que nada me traga, ou se
ele o quiser
Que me dê apenas uma flor
Ao deus-dará a morte a
vida e o universo
Cada vez mais infinito,
nos meus finitos versos
Que ao deus-dará se
masturbam no vão de uma escada, ao deus-dará
A preguiça, a almotolia de
acordar na fimbria solidão de abrir os olhos, e de me olhar no espelho, ao
deus-dará
A sinfonia, a escrita
As galinhas no seu
cacarejar, sim
Pela manhã incendiada,
que ao deus-dará
Se senta junto à sua
cabeceira, no decimo quinto dia
A contar,
Do ao deus-dará
Ao deus-dará deixou de
acreditar
Ao deus-dará não mais quis
saber dos sonhos
Ou do mar,
Ao deus-dará
Ao deus-dará ou a teoria
do caos, e
O efeito borboleta, sempre
ao deus-dará
A cigana simpática,
escreve na terra ao deus-dará
Todas as nódoas de uma
tarde de sismo, a catástrofe de uma estrutura em colapso, ao a deus-engenheiro
Ao deus-dará
Ao deus-dará quando a
chuva é o oiro da milimétrica saudade de uma tempestade, o cheiro a queimado
que se ergue da terra, e sobre a copa das mangueiras, ao deus-dará
O inferno, o medo
Ao deus-dará nós e deus
E até o galo da vizinha,
Coitado,
Anda ao deus-dará
18/06
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