À razão inversa na voz
que semeia a espada
Lavrada
É a terra madrasta
Na terra de nada
À terra todos os meus
pecados e pertences
Na terra inversa da razão
de uma espada
Traz a algibeira o rio
E a ribeira
A cabeça e o frio
O mar
E a luz que incendeia
A charrua
A charrua nua
Que desvesta a terra
lavrada
E a terra semeada
Sempre que seja dia
Sempre que apenas seja um
olhar de nada
À razão inversa da voz
embriagada
Até mesmo a janela
encerrada
E a porta mal fechada
À razão inversa na voz
Entre nós
O fio milimétrico na
sombra em lareira
O corpo se estingue na
razão inversa da voz
Até que o dia acorde na pétala
flor de uma nuvem
Na razão inversa da voz
A voz
Até que seja dia
27/06
03:36