27 junho 2026

À razão inversa na voz que semeia a espada

À razão inversa na voz que semeia a espada

Lavrada

É a terra madrasta

Na terra de nada

 

À terra todos os meus pecados e pertences

Na terra inversa da razão de uma espada

Traz a algibeira o rio

E a ribeira

 

A cabeça e o frio

O mar

E a luz que incendeia

A charrua

 

A charrua nua

Que desvesta a terra lavrada

E a terra semeada

Sempre que seja dia

 

Sempre que apenas seja um olhar de nada

À razão inversa da voz embriagada

Até mesmo a janela encerrada

E a porta mal fechada

 

À razão inversa na voz

Entre nós

O fio milimétrico na sombra em lareira

O corpo se estingue na razão inversa da voz

 

Até que o dia acorde na pétala flor de uma nuvem

Na razão inversa da voz

A voz

Até que seja dia

 

27/06
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