23 junho 2026

À noite meu anjo

À noite meu anjo, não te desejarei mais 

Do Tejo ao cansaço, do breu 

Definido e confuso ao léu 

O abismo é quase gelo 

A sensação de estar morto, habitualmente 

Dentro do caderno negro, a luz é vento e é a melodia do olhar 

É a palavra escrita 

Sentida 

E semeada 


À noite meu anjo, não te sonharei mais 

Cada sombra aprisionada na alvorada 

E o pincelar da chuva 

Sobre a maré é 


À noite meu anjo, não te quererei mais 

São todas as coisas que eu apenas tenho 

Tinha 

As saudades 

O silêncio 

A ausência 

Não 

À noite meu anjo, não mais 

Serás poema.


23/06

08:03

(Ribadouro)