um corpo sem viver
um corpo na falésia
suspenso nos ponteiros de
um relógio caduco
quase pó
quase,
só
um corpo sem sentido
sem estrada para caminhar
um corpo sofrido
cansado de amar,
cansado de ser esquecido
pelo mar e pelo sorriso
da lua
um corpo sem viver
viver
na noite fria e nua,
um corpo sem viver
sem o ter
um doido corpo
no corpo de quase morrer
um corpo que odeia,
um corpo que não ama mais
no mais distante voar
ah
este corpo que me
pertence
é um corpo que deixou de
sonhar.
Francisco
05/05