Nada me pertence, tudo me
vence
Entre o fio crepuscular
da ínfima distância e dois pontos de luz
A sílaba encarnada em
veneno terrestre
Em busca da perfeição de
um abraço,
Nada me diz, que da
palavra nasce o vento e cansaço
Disfarçado de infinito
Ao longe se não sente
É porque está triste, é
porque está faminto,
Entre o nada que inventa a
limalha e a outra margem do mar
Ah, então pertencíamos ao
abismo e hoje
Pertencemos ao silêncio
de um cubo
No silêncio de uma
esfera,
Nada me pertence, que tudo
me vence
No olfacto milhar que estrénua
a morte
E eu sem saber
A mínima distância entre
dois pontos e a sorte.
Francisco
21/05