21 maio 2026

Nada me pertence, tudo me vence

Nada me pertence, tudo me vence

Entre o fio crepuscular da ínfima distância e dois pontos de luz

A sílaba encarnada em veneno terrestre

Em busca da perfeição de um abraço,

 

Nada me diz, que da palavra nasce o vento e cansaço

Disfarçado de infinito

Ao longe se não sente

É porque está triste, é porque está faminto,

 

Entre o nada que inventa a limalha e a outra margem do mar

Ah, então pertencíamos ao abismo e hoje

Pertencemos ao silêncio de um cubo

No silêncio de uma esfera,

 

Nada me pertence, que tudo me vence

No olfacto milhar que estrénua a morte

E eu sem saber

A mínima distância entre dois pontos e a sorte.

 

Francisco

21/05