Me disseste que um dia
Um dia eu seria, que um
dia eu seria um nada
Ou um rubro tão
desvalorizado que
Esse dia eu sentiria, o
desejo mais do que uma saliência destemida da morte
A descida, a descer
A morrer
Aqui estou, me disseste
um dia
Nada
Que eu um dia o seria,
porque sentia a nuvem envergonhada
Sentando-se na fimbria
manhã de uma espada
Travestida, pasmada
Que foi lua
E destino
Que eu um dia o seria, e
que diria que às vezes no verso
Cada palavra, cada página
de uma noite é uma sombra
Envergonhada, desamada,
amada
E que eu seria, um nada
Que um dia me disseste
que eu nunca quis acreditar
Que esse dia acordaria,
que nesse dia eu seria
Que um dia me disseste,
que eu seria um dia
Um nada, dentro do nada
Invisível, sem nome
Sem endereço nem cidade
para viver
Triste e às vezes com
fome, que um dia me o disseste
Francisco
16/05
18:58