16 maio 2026

Me disseste que um dia Um dia eu seria

Me disseste que um dia

Um dia eu seria, que um dia eu seria um nada

Ou um rubro tão desvalorizado que

Esse dia eu sentiria, o desejo mais do que uma saliência destemida da morte

A descida, a descer

A morrer

Aqui estou, me disseste um dia

Nada

 

Que eu um dia o seria, porque sentia a nuvem envergonhada

Sentando-se na fimbria manhã de uma espada

Travestida, pasmada

Que foi lua

E destino

Que eu um dia o seria, e que diria que às vezes no verso

Cada palavra, cada página de uma noite é uma sombra

Envergonhada, desamada, amada

 

E que eu seria, um nada

Que um dia me disseste que eu nunca quis acreditar

Que esse dia acordaria, que nesse dia eu seria

Que um dia me disseste, que eu seria um dia

Um nada, dentro do nada

Invisível, sem nome

Sem endereço nem cidade para viver

Triste e às vezes com fome, que um dia me o disseste

 

Francisco

16/05
18:58