11 maio 2026

Era só

Era só um verso, foi só uma estrela invisível

Era só uma janela partida, um rio em fúria

Foi a tempestade e foi o cansaço

Da triste e fria noite,

 

Era só um poema, depois foi o vento

Desejo, a cama

Era só a miséria alheia e indesejada

Foi a lua e foi a dor e hoje já não é nada,

 

Foi a estrada, era só um verso

E uma calçada, era só um caderninho vestido de silêncio

Era a rua despida e nua, era só a vírgula descalça

Subindo a primeira sílaba do amanhecer,

 

Se sentando à sombra de uma mangueira, era só

O destino de uma nuvem, e foi depois o motor

E a deflexão de uma mão, em mão

O sorriso de uma flor.

 

Francisco

11/05
05:16