14 maio 2026

Bem-aventurados

Bem-aventurados o sejamos, os cúmplices

Os desgovernados e místicos, pedintes e sós

Se cada obra terminada acordasse a maresia de um olhar

Capaz de transpor a linha que separa o dia da noite

 

A luz e a escuridão de um viver, o acorrentado viver

Sabendo que do outro lado do mar, existe

Viveu a grandiosa e mística pedra-pomes

Que lançada ao vento, é o amanhecer estampado na aurora boreal

 

Por cada estrela que morre, nascem milhões de estrelas

E para quê tanta estrela, tanto planeta, buracos negros

E gajas boas, se tão poucos somos no planeta terra

Para tanta coisa desnecessária e obreira e séria

 

 Viver acreditando que amanhã…

Mas amanhã já é um outro amanhã, mais frio ou mais quente

Mais volátil ou menos sonâmbulo, tanto faz

Tanto faz para quem há muito deixou de ter amanhã

 

Bem-aventurados

Que se o soubéssemos, era capaz de pular o muro

E ir ao encontro do mar

Que o mar será sempre a lua de um olhar, com olhos de mar.

 

Francisco

14/05
21:38