Bem-aventurados o
sejamos, os cúmplices
Os desgovernados e místicos,
pedintes e sós
Se cada obra terminada acordasse
a maresia de um olhar
Capaz de transpor a linha
que separa o dia da noite
A luz e a escuridão de um
viver, o acorrentado viver
Sabendo que do outro lado
do mar, existe
Viveu a grandiosa e mística
pedra-pomes
Que lançada ao vento, é o
amanhecer estampado na aurora boreal
Por cada estrela que
morre, nascem milhões de estrelas
E para quê tanta estrela,
tanto planeta, buracos negros
E gajas boas, se tão
poucos somos no planeta terra
Para tanta coisa
desnecessária e obreira e séria
Viver acreditando que amanhã…
Mas amanhã já é um outro
amanhã, mais frio ou mais quente
Mais volátil ou menos
sonâmbulo, tanto faz
Tanto faz para quem há
muito deixou de ter amanhã
Bem-aventurados
Que se o soubéssemos, era
capaz de pular o muro
E ir ao encontro do mar
Que o mar será sempre a
lua de um olhar, com olhos de mar.
Francisco
14/05
21:38