26 maio 2026

Aqui estou eu

Aqui estou eu, sendo eu qualquer coisa, estranha na ausência da estética de um fio de nylon atado ao pescoço

Aqui estou eu, pertencendo e sendo, eu

Um pedaço de espuma no corpo da morte

Ou até estrela do céu

 

Aqui estou eu, sentado e aflito

Sentado e enforcado ao salitre e ao enxame de flores

Que aqui estou eu, a última porta da noite

Sentada também, no meu colo

 

Aqui estou eu, o milhafre do desejo

A palavra e o beijo

E a mão que chora

O rosto em despedida

 

Aqui estou eu, em partida

E sem regresso

Em cada verso, que aqui estou eu

Outro verso, outro eu.