15 maio 2026

Ainda ontem

Ainda ontem tínhamos o espaço-tempo

E a diáfana noite do dia

No chão da última noite

Da morte em dia,


Ainda ontem éramos poesia

Na alvorada tela de uma fotografia

Entre versos sem graça

Na esquina do meu sol,


Ainda ontem a tarde no silêncio do teu olhar

Que tinha a luz do clitóris e era o soldado

E foi o fogo que o matou

Na página de um livro,


Ainda ontem éramos dois pontos de luz

Na boca da chuva

Ainda ontem éramos o fogo

E hoje sou um tolo-louco que vive no silêncio do tempo.


Francisco

15/05