Ainda ontem tínhamos o espaço-tempo
E a diáfana noite do dia
No chão da última noite
Da morte em dia,
Ainda ontem éramos poesia
Na alvorada tela de uma fotografia
Entre versos sem graça
Na esquina do meu sol,
Ainda ontem a tarde no silêncio do teu olhar
Que tinha a luz do clitóris e era o soldado
E foi o fogo que o matou
Na página de um livro,
Ainda ontem éramos dois pontos de luz
Na boca da chuva
Ainda ontem éramos o fogo
E hoje sou um tolo-louco que vive no silêncio do tempo.
Francisco
15/05