No olhar embrulhado do papel onde escrevo
Cada sombra é uma seara de desejo
Na vidraça de um pedaço de pão
Sobre a folha de papel se esconde
A tarde no silêncio dos meus poemas
Sinto que o sono é quase gelo
Sob o fogo do mar
O corpo é um guarda-chuva acorrentado
À mão de Deus que o livro seja a sepultura
Do verso
E do nome que me deram
E sei que o sorriso da última noite
Pertence ao tic-tac do relógio de sémen
Que da última noite sobrou
Na despedida da chuva
Também na lareira sem roupa
Outro corpo e outro relógio de sémen
Dançam sobre a maré
E nunca mais será primavera.