Fútil e absorto é o barco de estimação, o cansaço amar
O mar de uma nação
A fogueira que não arde, apesar das inúteis labaredas
Que quase são as fotografias
E as cartas
De uma mágoa poisada no esquecimento de um nome
Fútil e absorto é o barco de estimação, a casa que não tenho
Fútil tão, que não preciso
Do garfo e da faca que são a espada do caracol
Que sobe a parede
E da parede salta para a também fútil
Que é a primavera de um salgado olhar
Fútil e absorto é o barco de estimação, as vírgulas do sexo
Na penúltima ceia quase gelo de tinta
Também era só uma pétala e questões de pão
Depois do sol, antes do acordar
No pulso o fogo relógio de uma carta
Na vidraça mão
08/04/2026, 21:58