08 abril 2026

Fútil e absorto é o barco de estimação, o cansaço amar o mar de uma nação

Fútil e absorto é o barco de estimação, o cansaço amar

O mar de uma nação

A fogueira que não arde, apesar das inúteis labaredas

Que quase são as fotografias

E as cartas

De uma mágoa poisada no esquecimento de um nome


Fútil e absorto é o barco de estimação, a casa que não tenho

Fútil tão, que não preciso

Do garfo e da faca que são a espada do caracol

Que sobe a parede

E da parede salta para a também fútil

Que é a primavera de um salgado olhar


Fútil e absorto é o barco de estimação, as vírgulas do sexo

Na penúltima ceia quase gelo de tinta

Também era só uma pétala e questões de pão

Depois do sol, antes do acordar

No pulso o fogo relógio de uma carta

Na vidraça mão


08/04/2026, 21:58