25 março 2026

sinto o teu desejar-me nas minhas mãos, enquanto leio, percebo

sinto o teu desejar-me nas minhas mãos, enquanto leio, percebo

o importante te ter, e te sentir

e te tocar,

hoje, meu amor, já ouvi o cuco-canoro

já tinha saudades da primavera, meu amor

tudo sorri, as plantas começam a crescer,

parecem crianças no recreio da escola, e até a luz

é mais luz

 

e a noite está mais alegre, veem-se as estrelas, o luar

é um rio ao redor dos teus seios, meu amor

e eu, com tanta coisa na cabeça, e quando quase tudo arde,

eu, eu nada, como o álvaro de campos, sento-me e leio

e escrevo, e desenho, e penso

que não devia pensar, e um dia

ao acordar

zás

 

zarpar, erguer a âncora deste navio, ir

para onde o vento me levar (ao preço que está o gasóleo, este navio só daqui sai, ao sabor do vento)

caso contrário fica acorrentado, é melhor assim

melhor ainda, do que andar por aí a fingir

olhe que o gasóleo simples fode-lhe o motor todo,

é mais barato, pois claro, filho da puta

tens um navio que quase voa, e queres poupar na palha

se te fosses foder quase engenheiro francisco.

 

Alijó, 25/03/2026, 23:00